Estacionei meu
carro próximo ao hotel, conferi meu rosto no retrovisor, respirei fundo e sai.
Caminhei pela calçada decidida a não mudar de ideia. Armei meu melhor e mais
simpático sorriso e atravessei as portas de vidro. A recepcionista não era nenhuma
que eu já tivesse visto antes, o que talvez fosse melhor.
—
Boa noite senhora, posso ajuda-la?
—
Boa noite! Eu sou a Renata, assistente do senhor Joah Fernandes que estava
hospedado no quarto 221. Eu vim encerrar a conta dele— falei de forma confiante,
utilizando um pouco das minhas habilidades para convencê-la da minha história.
—
O senhor Fernandes não irá retornar ao hotel?
—
Não, infelizmente ele teve uma reunião de última hora e precisou viajar as
pressas. Vim a pedido dele apenas retirar seus pertences e fazer o check-out.
A
moça me olhou com ligeira desconfiança. Olhei direto em seus olhos castanhos e
alarguei meu sorriso, torcendo para que meu estado emocional não interferisse.
—
Poderia ver o documento da senhora?
—
Eu já lhe mostrei, lembra-se?— eu nunca havia conseguido implantar uma memória
em alguém, mas esperava apenas que ela ficasse confusa.
— Ah
sim claro, me desculpe!— disse ela após pensar um pouco, para meu alívio.
A
jovem, que o crachá dizia chamar-se Marina, demorou algum tempo digitando
algumas informações no computador antes de voltar a falar comigo.
—
A senhora tem as chaves do quarto?
—
Tenho sim.
—
Precisara de ajuda com as malas?
—
Não será necessário! Mas agradeceria se você pudesse me passar à senha do
cofre. Eu sou uma desmiolada e esqueci de anotar. Se eu ligar mais uma vez para
meu chefe para perguntar, vou ouvir um sermão daqueles.
Ela
olhou novamente ressabiada para mim, o que me deixou preocupada. Mantive o
contato visual durante todo nosso período de silencio, sem desviar um segundo
sequer. Então ela finalmente voltou a digitar no computador e anotou a
informação em um papel.




