segunda-feira, 30 de março de 2026

Opinião- A falta de estímulo ao uso das bicicletas na minha cidade


São Vicente (onde moro) e Santos (onde estão meus médicos, meu rolês, etc.) são cidades muito bem conectadas. Quem mora em São Vicente trabalha em Santos. Quem mora em Santos faz compras em São Vicente. Duas cidades próximas, com ligação de transporte público (ou quase isso, porque há algumas questões). Duas cidades planas, com ciclovias que se interligam em alguns pontos, que poderiam propiciar um grande estímulo ao uso das bicicletas como alternativa de transporte, que aliviaria o trânsito caótico que está em crescimento. No entanto, o incentivo a essa prática ainda é muito pequeno, principalmente para o lado de cá da divisa.

São Vicente tem ciclovias não muito bem planejadas (buracos, raízes de árvores no meio do caminho e percursos que terminam do nada no meio de avenidas) e nenhum serviço de aluguel de bicicletas, como ocorre em Santos. Aliás, esse serviço não funcionar de uma cidade para a outra é algo que sempre me aborreceu, tendo em vista o vai e vem de pessoas de uma cidade para a outra. Se a ciclovia começa em Santos e termina em São Vicente, como eu preciso deixar a bicicleta na divisa e tomar um transporte público para terminar o meu percurso? Isso não faz muito sentido.

Outro aspecto que eu nunca entendi é a proibição das bicicletas no VLT, principal meio de transporte que liga as duas cidades. Eu sei que elas ocupam espaço, mas se no metrô de São Paulo, que é bem mais cheio, é possível dispor um vagão para as "magrelas", porque aqui isso não ocorre? Aliás, São Paulo é uma cidade cheia de subidas e descidas, mas, ainda sim, parece que tem mais acesso para os ciclistas que aqui na baixada. 

Por fim, também não há número significativo de lugares para "estacionar" as bikes de modo seguro, o que faz muitos repensarem o uso desse tipo de transporte.

A falta de encorajamento ao uso das bicicletas nas cidades do litoral paulista me parece um grande desperdício de oportunidade em tempos de trânsito intenso, poluição excessiva e falta de tempo das pessoas para as atividades físicas. Esses são problemas que poderiam ser facilmente resolvidos com o mínimo de planejamento intermunicipal.