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Quando você se descobre imortal, você se vê só, sem ninguém
com que compartilhar toda a eternidade que lhe resta, e no meu caso, ninguém
para me mostrar o que fazer com todo esse tempo.
Depois do período necessário para se acostumar com todas as
mudanças em sua “vida”, você passa por um estado de êxtase quando percebe que
poucas coisas podem te ferir de verdade, comete as maiores loucuras.
Fiz de tudo que me dera na telha durante as primeiras quatro
décadas de imortalidade, usei todas as drogas possíveis durante as décadas de
1970 e 1980, poucas realmente me deram algum barato. Já tive muito dinheiro
obtido de forma ilícita, com qual banquei luxos desnecessários, comi alimentos
caros que de nada me adiantavam por puro prazer, já que apenas sangue matava
minha fome. Já me alimentei de minhas vitimas até elas caírem sem vida no chão,
hoje em dia não há necessidade para tanto.
A verdade é que já fiz de tudo, um erro que imagino- já que
não conheci mais nenhum- que muitos vampiros devem ter cometido, aproveitar de
mais seus primeiros anos e se esquecer de guardar emoções para o resto de sua
vida vazia.
