O livro acompanha da médica plantonista Kit em busca de informações sobre sua irmã, Josie, que ela acreditava estar morta há pelo menos 15 anos, mas que apareceu de relance em uma matéria de TV na Nova Zelândia.
Kit saí de sua rotina com a missão de encontrar a irmã e tentar compreender porque ela supostamente teria fingido a própria morte. Durante esse período, ela precisa lidar com lembranças difíceis do passado e remexer em traumas profundos.
Quando Acreditávamos em Sereias, livro de Barbara O'Neal, é um mergulho (ba dum tss) nos sentimentos e memórias dos personagens, retratando situações delicadas, sejam elas felizes ou muito dolorosas, por isso aqui fica meu alerta de gatilho. O livro trata sobre abandono, negligência familiar, abuso, drogas e traumas.
A obra se passa, em boa parte, dentro das lembranças dos personagens, narrado em trechos não lineares, o que nos deixa ansiosos para saber o final daquelas histórias, tendo em vista que nossa curiosidade é alimentada aos poucos.
Kit é uma mulher que aprendeu a ser forte e independente, mas que carrega marcas que ainda impõem barreiras na forma como ela se relaciona com os outros, incluindo o músico sedutor Javier, com que ela se envolve durante sua busca em Auckland.
Javier é, na minha opinião, o ponto fraco história. Não porque ele é um personagem ruim, mas porque ele é pouco crível. Como a jornada de Kit é o enredo da história, sabemos a história de Javier em doses homeopáticas e sem grande aprofundamento e o fato dele ser tão perfeito o desloca muito da realidade.
Sobre os outros personagens do livro é difícil falar sem entregar muito da história, mas eles tem um desenvolvimento bem interessante, mostrando como situações da nossa infância nos moldam. Eles não são bons ou maus, eles são pessoas multifacetadas, cheios de erros que impactam diretamente na vida dos outros.
O livro me prendeu e foi uma leitura agradável, ainda que trate de temas sensíveis, mas o final da obra deixou um pouco a desejar. Problemas tão complexos não deveriam ser solucionados tão rapidamente.


