Ganhei meu primeiro computador aos 12 anos, uma máquina com pouquíssima capacidade de armazenamento, mas turbinada com a possibilidade da banda larga, ou seja, nada de precisar ficar esperando dar meia noite para usar a internet de madrugada, como eu fazia antes na casa dos meus primos. Eu já tinha acesso à internet um pouco antes disso, nas lan houses da vida, onde jogava meus joguinhos na Barbie e conversava no chat da Uol (sim, eu gastava dinheiro e deslocamento para isso).
Na época, eu morava longe para os padrões de uma criança dos meus amigos (coisa de uns 2 bairros de diferença), então eu não brincava muito ao longo da semana e mantinha contato com eles pelos finados MSN e Orkut e, em menor escala, pelo telefone.
Eu utilizava bastante meu computador nas minhas horas livres da escola, entre essas atividades que mencionei, testes e quizzes, escrita e, às vezes, um The Sims.
No entanto, apesar de usar com muita frequência, eu não estava 100% do meu tempo conectada como fazemos hoje em dia. Havia momentos do dia para a navegação. Marcávamos horários para conversar com nossos amigos, então, existia uma espécie de busca ativa para esse tempo com eles. Aliás, que alegria quando você encontrava uma pessoa que você queria de surpresa online.
Atualmente, com o advento dos smartphones, estamos conectados quase que o tempo todo, sendo bombardeados de informações, então essa proatividade da busca "não precisa mais existir". Nossos amigos estão no Whatsapp disponíveis o dia todo, então não os procuramos com tanta frequência. Ligações já não são bem-vindas.
As redes sociais nos trazem pílulas dos acontecimentos e não nos interessamos em ir mais a fundo nas informações, pois logo tem outra coisa acontecendo e sentimos que não temos tempo a perder, ainda que nosso precioso tempo esteja sendo gasto rolando feed infinito, muitas vezes no automático, sem realmente nos atentarmos ao que estamos consumindo.
Recentemente tenho tido alguns momentos livres em que quero utilizar o computador, ainda que trabalhe nele boa parte do dia, mas sinto que desaprendi a usá-lo. Mais de uma vez me peguei encarando o monitor tentando me lembrar o que poderia fazer nele que seria divertido e proveitoso que não envolvesse as redes sociais (onde eu já passo muito mais tempo do que gostaria). Percebi que desaprendi a "navegar na internet".
Não tenho mais sites preferidos ou criadores de conteúdo longo que consuma com mais frequência. Não me dou ao trabalho de buscar coisas do meu interesse que irão demandar mais empenho para serem encontradas.
Sei que questionamentos sobre o nosso uso das telas e das redes são comuns, alvos de diversos estudos e muitas vezes estamos "conscientes" de seus malefícios, mas, como só ignoramos, me pego surpresa quando constato na minha realidade as habilidades e hobbies que realmente tenho perdido para a hiperconectividade!




