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terça-feira, 1 de maio de 2018

Problematizando Eu, a Patroa e as Crianças.



Há algum tempo, meus pais e eu começamos a acompanhar um canal por assinatura chamado Comedy Central, que assim como nome já indica, tem os programas de comédia como foco, incluindo alguns seriados que eu assistia quando criança, como Um Maluco no Pedaço e Eu, a Patroa e as Crianças, e é sobre esse segundo que eu quero falar hoje.

A Sitcom, produzida por Don Reo e Damon Wayans, conta a história da família Kyle, cujo o pai, Sr. Michel (Damon Wayans), tem uma forma "peculiar" de criar seus filhos.

Michel é um personagem obsessivo, que enxerga qualquer problema como um jogo, onde obviamente, ele tem quer ser o vencedor.



Ao voltar a assistir alguns episódios dessa série, que quando era pequena achava engraçadíssima, pude perceber o quanto de coisas erradas ela retrava, e que antes eu não percebia.

Não posso negar que há momentos engraçados e piadas bem elaboradas, mas grande parte dos episódios são bem problemáticos.


Michel é um homem antiquado e machista, que não apoia a esposa quando ela decidi voltar a  estudar, preferindo te-la em casa cuidando dos filhos. Ele também não gosta quando ela trabalha fora, chegando a ficar feliz quando Jay (Tisha Campbell Martin) é demitida.

O reflexo de seu machismo também é visto na distinção que ele faz na criação de seus filhos quando o assunto é sexo, dando apoio e liberdade para Jr. (George O. Gorre II), mas restringindo até mesmo as roupas de sua filha e tentando afastar os namorados de Claire (Jennifer Nicole Freeman). Nesse ponto, Jay, também comete os mesmos erros.

A ideia de criar seus filhos como se fosse um jogo, elaborando planos para puni-los e minar a carreira de sua esposa, já é por si só, um sinal de que algo não está certo, mas a gota d'água foi com o episódio "Na magreza e na obesidade".

Essa parte do texto vai conter Spoilers desse episódio:

Após uma viagem, Jay retorna para casa com alguns quilos a mais, e Michel não consegue manter relações com a esposa por esse motivo, chegando até mesmo a procurar um terapeuta, que pasmem, lhe receita um "viagra" (tipo WTF?).

Jay chega a dizer que está bem com o fato de não precisar se preocupar com seu peso, pois tentar se manter magra era muito desgastante. Mas após parar de fingir que não se importava com o peso da esposa, Michel afirma que não consegue aceita-la dessa forma, pois a conhecera jovem e mais magra.




Bem, esse absurdo de episódio se encerra quando Jay concorda com Michel e decidi emagrecer pelo bem de sua família e eu querendo tacar o controle remoto da televisão.


Apesar de ter descoberto que uma série que eu gostava era na verdade uma enxurrada de machismo e intolerância, foi bom perceber que meus conceitos de humor mudaram e hoje eu consigo perceber o quão errado eram aqueles roteiros.

Não estou escrevendo esse texto para convence-los a não assistir essa série, mas sim, convida-los a assistir essa e outras produções com olhos críticos. Não precisamos parar de gostar das coisas que assistimos, mas temos que saber reconhecer os problemas que elas tem.