domingo, 31 de maio de 2026

A Noite de um Imortal III- Os Outros (Prólogo)

 *Texto ainda sem revisão formal


Ulrich


Apenas quando o sol começou a invadir sutilmente o quarto pela fresta aberta da grossa cortina, percebi que já fazia horas que eu tentava, sem sucesso, dormir. Nem mesmo uma noite cansativa conseguiu vencer o forte jet lag em que eu me encontrava quase que permanentemente. Não me lembrava de ter tido uma boa noite de sono no horário apropriado desde o fim das minhas férias, há dois meses, afinal, minha rotina não permitia isso.

Ao meu lado, Blair dormia pesadamente, com um dos braços jogado por cima do meu peito e o rosto coberto pelo longo e escuro cabelo cacheado. Não queria acordá-la, mas não aguentava mais ficar deitado, encarando o teto, então, gentilmente, peguei seu pulso e coloquei sobre o travesseiro ao lado, tentando levantar da cama sem movimentos bruscos, mas falhei.

— Você não está pensando em fugir, né?— Disse manhosa e sonolenta, com seu sotaque de Nova Iorque, me abraçando novamente.

— Estou sem sono. Ia tomar um banho. Não quis te acordar.

  Ela levantou a cabeça e olhou o relógio em cima da cômoda ao lado da cama.

— Ulrich, não são nem seis da manhã. Você chegou a dormir?— Neguei com a cabeça. — Bem, então acho que devemos te deixar mais cansado, não é mesmo? Porque aparentemente eu não fiz um bom trabalho antes. — Ela se aproximou, um sorriso malicioso vencendo a cara de sono, e colocou o corpo nu e quente sobre o meu.

Talvez a ideia fosse melhor do que o banho. Não sei se me faria dormir, mas com certeza era um proveito melhor de uma insônia. Afastei seus cabelos com uma mão e beijei seu pescoço, enquanto a outra descia por suas costas de pele macia. Ela gemeu em resposta, mandando qualquer vestígio de sono que poderia haver em mim para o inferno. Agarrei firme em seus quadris quando sua boca se encontrou com a minha, suas mãos emboladas no meu cabelo. Meu celular apitou em sinal de mensagem e eu cogitei seriamente ignorá-lo, mas sabia que não seria prudente.

— Preciso responder— disse, apoiando minhas mãos em seus ombros e afastando nossos corpos o mais suavemente que podia.

— É sério isso?— Ela bufou.

— Pode ser importante.

— São cinco e pouco da manhã.

— Aqui em Nova Iorque. — Ela revirou os olhos e se jogou para o lado, frustrada. Eu também estava, mas não podia ignorar meu telefone de trabalho.

Peguei o celular no bolso da calça, que estava jogada no chão, e visualizei a mensagem do meu chefe: uma imagem retirada de um jornal londrino.


“O número de crianças desaparecidas preocupa a polícia local.


Três famílias registraram o sumiço de jovens nos últimos dois meses. Apesar da proximidade, a polícia ainda investiga se os casos estão relacionados”.


Logo abaixo da imagem, apenas uma mensagem passando informações dos locais suspeitos e perguntando quando eu chegaria em Londres.


“Pego o próximo voo”, respondi.


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