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terça-feira, 2 de junho de 2015

Procrastinação

    Era um daqueles dias em que Bia acordava ansiando por mudanças. Queria melhorar tudo, começando por si mesma. Fez uma lista de coisas que devia começar a comer e o que deveria deixar, para ter uma vida mais saudável e natural. Também planejou fazer exercícios diariamente, mesmo que leves, só para abandonar o sedentarismo.
     Depois ela passou para o quesito estudos, achou que precisava se tornar mais qualificada, se empenhar mais, então esquematizou uma tabela de horários e até procurou alguns cursos online para que pudesse aprender matérias diferentes.
    Para otimizar suas mudanças, era preciso espaço e organização, então, arrumou todo o seu quarto. Separou o que deveria ir para doação por estar sem uso e fez anotações sobre o que era necessário para melhorar o ambiente, como uma luminária para a escrivaninha e um pequeno colchão de exercícios.
    Planejou alguns projetos para juntar um dinheiro extra, para que pudesse levar sustentar as mudanças planejadas, que iam desde juntar as moedas que sobravam toda vez que ia à padaria até fazer pequenos artesanatos.
    Agora que suas mudanças pessoais já estavam direcionadas, era hora de tentar fazer sua pequena parte para mudar o resto do mundo a sua volta. Começou algumas pesquisas sobre reciclagem, preservação ambiental e trabalhos voluntários. Decidiu que poderia fazer algumas dessas coisas e talvez quem sabe até incentivar os outros também. Criou uma página dentro de uma rede social com o intuito de divulgar informações, boas ações e discutir ideias de como transformar de forma positiva, mesmo que discreta, a sociedade em que vivia.
    Em meio a sua epifania de mudanças, sua mãe lhe chama para o almoço. Bia se dirigi a cozinha, pensando em sua dieta, quando vê em cima do fogão uma bela lasanha. Esquecera-se de avisar com antecedência sua mãe de seus novos hábitos alimentares, então ao que parece, hoje teria de abrir uma exceção. Preparou seu prato, dizendo a si mesma que amanhã retomaria seu projeto saudável, mas assim que pensou nisso, lembrou-se da festa de sua amiga que ocorreria no dia seguinte. Tudo bem, seria só mais uma pequena exceção, afinal não poderia fazer desfeitas!
    Após servir-se, foi para a sala, assistir televisão enquanto comia, e ficou muito feliz ao ver que um de seus filmes preferidos estava passando, talvez tivesse de perder alguns minutos dos estudos, mas poderia compensar mais tarde, pensou ela. O filme era sucedido por sua continuação, que também já assistira antes, mas já fazia um bom tempo, então decidiu assisti-lo também.
    Quando acabou sua pequena sessão de cinema em casa, sentiu as vistas cansadas pesarem, e decidiu que não deveria forçar indo direto para os livros, talvez devesse tirar um pequeno cochilo, pensou, talvez assim acordasse revigorada, com mais disposição e atenção.
    Bia acabou dormindo por mais de duas horas, perdendo o resto da tarde e tendo que optar por estudar ou fazer seus exercícios antes de assistir sua novela diária. Como não conseguiu se decidir, resolveu verificar seus e-mails e navegar na internet, assim não estaria sendo injusta com nenhuma de suas tarefas.
     Quando o dia acabou, a jovem não tinha feito nada de diferente, e um pequeno remorso a atingiu, mas tudo logo passou, porque afinal, pensou ela, podia fazer isso amanhã, certo? 

(Baseado em fatos reais :p)
A. Constantino Brandão.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Lucy- Parte 2


          Certo dia, Lucy vagueava pelas ruas da cidade, sozinha admirando seus próprios pés no asfalto, passos curtos e imprecisos, como se como se caminhasse em uma corda bamba.

Juciara Lima


No fim de seu passeio, quase na hora de ir para casa, ela avista uma arvore. Linda, grande, firme, mas ao mesmo tempo delicada.... Brilhante ao seus olhos e perfeita a seu modo. Lucy a ama nesse mesmo instante.

Juciara Lima

Passou o resto de sua tarde deitada às raízes da bela arvore completamente absorta no balançar de suas folhas e galhos, e quando percebe já anoitecera.

Ao chegar em casa é questionada por seu pai, sobre onde estava até essa hora.
-Desculpe pai, me distrai! Eu encontrei a arvore mais bonita do mundo.
-A é Lucy? O que essa arvore tinha de tão diferente das outras.
- Nada!- diz a jovem sorridente.
- Então porque ela é tão mais bonita do que as outras.
- Porque eu gosto dela! As pessoas são sempre iguais de certa forma, mas ainda sim, sempre achamos alguém que faz nosso coração bater mais forte, por quem sentimos admiração. Eu admiro aquela arvore.

Como sempre, seu pai não entende, e não discuto com a garota, apenas revira os olhos e volta a assistir televisão.
Lucy vai para seu quarto, louca para o dia retornar, e poder encontrar sua nova amiga, a árvore.

Durante as semanas seguintes, Lucy visitou sua amiga arvore todos os dias, passava horas à sua sombra admirando os pássaros que nela pousavam, mas infelizmente esses dias ficariam para trás. Os pais da jovem lhe contaram que deveriam se mudar. 
Apesar de saber que sentiria falta do lugar, a menina não se abateu, pois sabia que conheceria novas paisagens.
Antes de ir embora da cidade, Lucy foi se despedir da praça que tanto amava e da arvore que tanto admirava, onde deixou uma pequena carta enterrada.

Juciara Lima

“ Querido humano,
Eu me chamo Lucy e essa arvore em sua frente foi muito importante em minha vida, assim como tudo o que a rodeia, e espero do fundo do meu coração que se torne para você também.
Já que você perdeu alguns minutos lendo meu recado, que tal perder mais um pouquinho para dar valor àquilo que te cerca?
Está vendo essa grama embaixo dos seus pés? Você pode senti-la? Ou será que está de sapatos? Se estiver, tire-os um pouquinho. Deixa que o mato verde lhe faça cócegas e refresque o cansaço do dia.
Está ouvindo os pássaros? Eles estão cantando? Espero que sim, eles fazem isso de forma mágica, tente um dia ouvi-los. Nem sempre entendemos, mas é sempre divertido imaginar o que eles querem dizer.
Não sei como está o céu ai hoje, mas aprecie-o mesmo assim, porque até o céu mais nublado, pode ser lindo, com as formas das nuvens mostrando diferentes desenhos, e a luz do sol tentando atravessa-las.  Não é mágico?
Muitas pessoas não entendem porque fico tão fascinada olhando a natureza, mas mesmo assim quero tentar explicar, e quem sabe, fazer você se sentir assim também. Pois essa sensação é tão tranquilizadora.
Temos que aprender a admirar a natureza, ela ajuda a esquecer de nossos problemas, pois perto de sua imensidão e de todo seu detalhe, tudo se torna tão menor.
Nós sempre queremos que alguém nos diga palavras bonitas, nos olhe de verdade, que nos aprecie, porque com a natureza seria diferente?
Aprecie-a, cuide dela, converse com minha amiga arvore, e logo você se sentirá mais leve, é a retribuição que ela dá pela sua atenção.
Desejo que você seja muito feliz, nesse lugar ou em qualquer outro, e sei que será se souber aproveitar!"

Juciara Lima

Texto: A. Constantino Brandão
Fotos: Juciara Lima

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Lucy- Parte 1

            Lucy nunca quis ser normal, e não entendia por que alguém gostaria de ser.
Ela sabia que não era como as outras pessoas, mesmo sem nunca poder confirmar sua teoria. Mas acreditava que se vissem as coisas que ela vê, não ficariam tão mal humoradas.
Cada detalhe de seu mundo era mágico e incrivelmente colorido, e isso a fascinava demais.
Juciara Lima
 Por vezes ela ficava sonhando acordada, absorta na magia que enxergava no simples cintilar das luzes na água.
             Era como ver um arco Iris em movimento constante, dançando com suas incríveis cores, e aquilo era hipnotizante.
Toda a beleza do mundo de Lucy a tornou uma pessoa um tanto distraída, e meio isolada, pois gostava de passar muito tempo admirando o que ninguém mais entendia. Por vezes se pegava caminhando pelo parque, sem destino exato, observando a paisagem com todos os sentidos.
Sentindo a grama úmida com os pés descalços, e a brisa suave no rosto, ouvindo o som dos pássaros, cheirando as flores, e olhando o lago.
Juciara Lima.
Logo se sentia tão absorta, que era como se fizesse parte da paisagem, calma e cheia de vida. Quase não percebeu que o sol já se pusera e devia ter voltado para casa.

Sua mãe nunca entendera os devaneios de Lucy, e constantemente se enraivecia com a garota. Dizia que ela era muito distraída e que vivia fora da realidade, que o mundo não era tão belo quanto ela imaginava, que era sujo e cheio de tragédias.
Um dia a garota lhe respondeu:

- Eu sei de tudo isso mãe, sou distraída, mas não indiferente à realidade. Sei que infelizmente existe um tipo de feiura nesse mundo, mas também existe o belo. As pessoas se apegam demais a tudo o que é ruim, e esquecem-se de admirar as coisas boas. Talvez se todos vissem o mundo como eu vejo, não teriam motivos para fazer maldades e cozinhar seus problemas. Nem todos conseguem então me sinto no dever de admirar o mundo por eles, pois o mundo também merece ser visto.

Sua mãe não soube o que responder, mas obviamente ainda não compreendia, e Lucy se apiedava disso.
Em seu quarto, recusava a pensar nas palavras de sua mãe, para que o pessimismo não a alcançasse, então colocou-se a imaginar aquele mundo, que era de todos, mas ao mesmo tempo era só dela.
Juciara Lima.
Juciara Lima.


       Texto: A. Constantino Brandão
       Fotos: Juciara Lima
 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Trabalho de Diagramação

   Durante uma avaliação na faculdade na matéria da professora Márcia Okida, tivemos que diagramar uma página com um trecho do livro O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini.
    Realizei esse trabalho em parceria com Natália Guimarães (Nhá), e utilizamos o programa InDesign CS6 da adobe.