segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Animale

 


Nejma é uma jovem que trabalha em uma fazenda de touros, em um ambiente predominantemente masculino, e sonha em ser toureira profissional.

Após uma noite de festa com companheiros de tourada, Nejma é deixada vulnerável, bêbada, em meio a um campo de touros. A jovem acorda no dia seguinte sem lembrar do que ocorreu, mas com uma sensação diferentes em relação a si mesma, aos touros e sua ligação com eles. Concomitantemente, surge o boato de um touro selvagem matando rapazes pelas redondezas.


Eu realmente não sei como falar (ou escrever) sobre esse filme sem dar Spoiler, mas vou tentar. Já peço desculpas antecipadas caso consigam compreender o enredo apenas pela breve descrição do que eu achei da obra. Ela não é muito surpreendente, então é possível que vocês tenham esse entendimento.


A atmosfera que Animale passa desde o primeiro minuto destoa da descrição do gênero em que está classificado. Há sim drama, há fantasia, mas o suspense e a sensação de terror se sobressaem, acredito que principalmente para mulheres. Assim que vemos Nejma em seu ambiente, majoritariamente, ou melhor dizendo, exclusivamente masculino, já ficamos tensas. É possível perceber até nos momentos de descontração dos personagens que algo não está certo, que alguma coisa vai acontecer.

Nejma, que não lembra o que ocorreu na fatídica noite, está machucada e confusa, tentando entender estranhas mudanças em si. Ela sofre, mas não é retratada apenas como vítima. Ela é forte, como muitos a cobram para ser ao longo da trama, mas também é vulnerável e sensível. Tudo muito equilibrado e muito humano.

A história não é de todo inovadora e é possível prever seus caminhos com certa antecedência ao longo do filme, no entanto, sua execução é ótima! O ritmo da narrativa, a escolha dos efeitos e a atuação de Oulaya Amamra são realmene excelentes.


Aviso: filme com classificação indicativa +18

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Uma família normal

  

No longo coreano, "Uma Família Normal", de 2024, acompanhamos os dilemas morais de dois irmãos e suas famílias quando confrontados com a dúvida entre proteger os seus ou fazer o que é certo.

Jae-wan é um advogado criminalista bem sucedido, que utiliza todas as suas ferramentas para conseguir os melhores resultados para seus clientes, sejam eles inocentes ou culpados. Seu irmão, Jae-gyu, é um médico que muitas vezes coloca o bem de seus pacientes acima de questões burocráticas de seu trabalho. Os dois se reúnem com alguma frequência, junto de suas esposas, em um restaurante luxuoso para discutir suas questões, como, por exemplo, o cuidado com sua mãe já idosa.

Após um desses jantares, os dois descobrem que seus filhos adolescentes podem estar envolvidos com um crime violento de agressão contra um homem em situação de rua. Agora os dois precisarão decidir o que devem fazer com sobre a situação.


Uma Família Normal, longa baseado no livro O Jantar, de Herman Koch,  traz uma reflexão sobre fazer o que é certo e o que exatamente seria o correto em uma situação tão delicada. Entregar jovens para serem punidos pela lei seria acabar com suas vidas, a melhor forma de fazê-los compreender as consequências de seus atos, uma forma de salvá-los de suas próprias convicções ou apenas o que é moralmente esperado? E acobertá-los seria protegê-los ou os deixar impunes?


Yeon-kyung, esposa de Jae-gyu, e seu filho Yang Si-ho

Os personagens são interessantes e o filme vai, com o decorrer da história, quebrando preconceitos e concepções que ele mesmo plantou em seu início. Ninguém está 100% certo. Todos apresentam falhas em diferentes níveis e aspectos. Você se pega simpatizando com eles para logo depois pensar: ok, agora você está errado!

Algo que achei bem curioso, principalmente durante a apresentação dos personagens e o padrão de suas interações, foi que, apesar de se passar em um país e uma cultura diferente da nossa, podemos observar a semelhança nas dinâmicas familiares. O jantar regado de alfinetadas, ciúmes, rancor e uma polidez fingida poderia ocorrer em qualquer casa.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Apothecary Diaries- temporadas 1 e 2

 


Apothecary Diaries é o anime, baseado em uma light novel japonesa, que acompanha a vida de MaoMao, uma jovem apotecária que é sequestrada de seu lar, no distrito do prazer, e vendidade como serva para trabalha no palácio imperial. Apesar de tentar não chamar atenção, os talentos de MaoMao acabam a envolvendo em uma série de investigações e a colocam no caminho do jovem Mestre Jinshi, um envolvente e misterioso Eunuco que administra o palácio interno.


Comecei a assistir ao anime despretensiosamente, uma escolha aleatória para o café da tarde em um dia de preguiça. No entanto, logo estava tão viciada na história e nos personagens quanto MaoMao é em venenos.


A personalidade um tanto quanto peculiar da protagonista é, com toda certeza, um dos principais pontos positivos do anime. A jovem Apotecária é extremamente eficiente e dedicada ao seu trabalho. Uma grande apaixonada por ervas, fungos e coisas que, em qualquer outra pessoa, causariam efeitos indesejados, mas não em MaoMao. A garota excêntrica gosta de testar seus experimentes em si mesma e tem um incrível poder de dedução, característica essa que a torna valiosa para resolver problemas da corte.

MaoMao testando seus experimentos


A jovem, de criação humilde, guarda um sentimento de inferioridade e impotência diante de seus "superiores", tendo em vista que a vida de um simples serva não tem muito valor em seu tempo. Porém, isso não a aproxima da personalidade de "coitadinha", comumente (e infelizmente) atribuída à muitas personagens femininas. Sendo assim, ela sabe se colocar quando precisa, ainda que isso possa a vir lhe custar sua vida/segurança, mas tenta sempre se manter "afastada" dos problemas e, apesar de muito curiosa, evita adentrar em assuntos que diz "não serem de sua conta". Esse afastamento dela mantém talvez incomode alguns telespectadores, já que ela acaba não descobrindo alguns segredos, mas para mim a torna ainda mais interessante


Além de seu vasto conhecimento medicinal, MaoMao, apesar de não demonstrar nenhum interesse físico ou romântico, tem um incrível repertório sobre o assunto, pois foi criada dentro de um "bordel", fato esse que é explorado tanto no lado bem humorado do anime, quanto nos tons mais densos que da história, como servidão/escravidão, abuso e vulnerabilidade feminina.


Apesar de ser apaixonada pelo anime, nem tudo são flores (às vezes são fungos também, ba dum tss), há algumas "piadas" (nem um pouco engraçados, mas muito típicas de animes) sobre sexualização e assédio, além de uma tendência a sempre culpabilizar as mulheres da história pelos problemas. Há homens ruins (muito ruins), mas as mulheres vilãs são a maioria.

Também há algumas questões no roteiro que não me deixaram muito convencida, como se o autor tivesse mudado de ideia sobre o caráter de um personagem (o estrategista) no meio do caminho, o que deixou um arco do anime meio incoerente ¯\_(ツ)_/¯



Alerta e gatilho: Conteúdo com teor sexual, abuso, violência e pedofilia!

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

A nostalgia que me desperta

 Há algum tempo eu postei um vídeo nas minhas redes dizendo como eu me comparava com antigas publicações minhas e o quanto isso fazia eu me sentir menos produtiva. Isso é uma realidade para mim!

No entanto, muitas vezes, rever antigos vídeos, postagens e conteúdos me desperta um certo vigor, uma vontade de me dedicar de novo, de tentar novamente. É realmente uma nostalgia que por vezes é bem positiva.

Essa semana eu andei fuçando meu HD de backup, onde guardo vídeos antigos do meu canal no Youtube, em uma época que eu era bem engajada, apesar de ter um alcance minúsculo. Me diverti com as algumas besteiras que eu falei, me surpreendi com opiniões que descobri não ter mais, senti muita falta do meu cabelo no tom ideal de azul e me animei com a possibilidade de voltar a me engajar assim novamente, ainda que eu talvez não tenha tanto tempo quanto tinha há dez anos.


Talvez seja fogo de palha? Talvez! Mas vou tentar aproveitar esse calorzinho!